Inquérito sobre a precariedade na arqueologia em Portugal

O caso português de Arqueologia Urbana é complexo e apresenta muitas nuances. Apesar de se ter vindo a trabalhar para obter resultados positivos tanto a nível social como económico, a maior parte deste mundo pertence ainda a uma realidade muito negra que parece ainda estar longe de ser ideal.

Infelizmente, a grande maioria dos trabalhos desenvolvidos em contexto de obra não possuem condições e, na maior parte dos casos, ultrapassam os Arqueólogos que se encontram no terreno. Estas acabam por ser prejudiciais para a boa produção de informação e salvaguarda do património. Vão desde questões burocráticas a económicas, sendo estas impostas quer pelas entidades privadas que contratam as empresas de Arqueologia, quer pelo próprio Estado. Ao Arqueólogo é-lhe pedido que seja rápido, eficaz nas suas práticas e flexível, não havendo tempo, muitas das vezes para criar soluções próprias e corretas aos problemas que surgem nem incentivos para tal, quer sejam estes monetários ou de estabilidade, tanto financeira como pessoal.  A este problema existe ainda a agravante da má preparação e formação insuficiente dos recém-licenciados, que são postos a trabalhar num mundo desconhecido onde existe um cultivo permanente de precariedade e instabilidade, alimentado por quem contrata.

O questionário anónimo proposto aborda grande parte das questões chave do mundo que é a Arqueologia Urbana, passando por condições de trabalho ou falta destas, recibos verdes, mobilidade forçada, funcionamento da DGPC e STARQ. Este tem como objetivo aferir o estado da situação laboral no meio Arqueológico de modo a complementar um trabalho desenvolvido no âmbito da unidade curricular Gestão de Bens e Património Arqueológico, lecionada no Mestrado de Arqueologia, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa. Até ao momento participaram 74 pessoas, demonstrando uma reação positiva ao tema no sentido em que este deve ser discutido e desenvolvido. A realidade tratada, infelizmente, também é a minha e julgo que merece mais atenção, tanto por parte da comunidade profissional como científica.

Todos merecem ser ouvidos e a opinião de cada um é de grande importância pois só desta forma se pode alterar a situação. Conto com a sua ajuda, podendo preencher o questionário através do link: https://forms.gle/wiuRQQnYC1fUkTsz9

Gabriel Silva Lucio*

*Gabriel Silva Lucio é arqueólogo e frequenta Mestrado de Arqueologia na Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa