Ensinar com o Património

A situação social muito particular vivida a partir do 2º trimestre de 2020 devido à pandemia do covid-19, evidenciou a necessidade de divulgação de ações na área do património ao grande publico, contribuindo para a  democratização e a acessibilidade  a este saber. 

Perante tais condicionantes a Escola Profissional de Arqueologia, no mês de maio de 2020, inaugurou o canal do Youtube, Ensinar Com Património que tem  como missão a partilha de experiências na área do ensino do património, realizadas na escola, mas também promover boas práticas na comunicação, investigação e construção do património.

O nosso objetivo principal é proporcionar a um público heterogéneo (idade, nível académico, interesses pessoais) conferências de qualidade comprovada e interesse social, cultural e patrimonial.

Até ao momento foram realizados sete encontros que podem ser visualizados no canal cujos temas vão desde estratégias específicas no ensino da arqueologia como a “Estratigrafia Por Mim Próprio” à importância da comunicação do património no encontro “Comunicar o património: conhecer para preservar”.

O próximo encontro é no dia 10 de julho onde iremos divulgar projetos escolares que unem a tecnologia e a arqueologia. Divulgaremos o Projeto Archaeo que conta com a participação de António Silva (informático), Susana Nunes (arqueóloga e coordenadora do curso de Assistente de Arqueólogo), Daniel Patrício (arqueólogo), Rui Sousa e Tiago Sampaio (alunos de 11º ano do curso de Assistente de Arqueólogo).

Na génese deste projeto está a participação no concurso European Astro Pi Challenge. O Astro Pi é um projeto da Agência Espacial Europeia (ESA) executado em colaboração com a Raspberry Pi Foundation. Este concurso internacional oferece aos alunos uma oportunidade de propor uma experiência de investigação científica no espaço, escrevendo um programa de computador para funcionar em Raspberry Pi, a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS).

O processo passa por submeter uma proposta de experiência, que ao ser aprovada pela organização do concurso, envia para a escola um kit de desenvolvimento (RaspberryPi+câmara) onde a programação é desenvolvida e testada. O código final é submetido e avaliado pela ESA. No caso de ser aprovado, é executado durante 3h num dos sistemas Raspberry Pi, a bordo da ISS. Posteriormente, os resultados obtidos são devolvidos aos alunos para análise e produção de um relatório final. Durante este processo para além de ser necessário perceber os fundamentos básicos da ISS, várias vertentes relacionadas com tecnologia são abordadas desde o hardware utilizado, a linguagem de programação e a exploração de ferramentas de apoio à análise dos dados.

No caso da Escola Profissional de Arqueologia, a análise dos dados despertou o interesse dos alunos por determinadas tecnologias como o LeoWorks e o QGIS, que permitiu complementar a informação das imagens obtidas(de baixa resolução e tiradas a grande distância) com outros elementos (designadamente históricos e geográficos) e imagens de maior qualidade dos locais selecionados para estudo.

Esperamos que o canal se construa como uma mais valia na promoção e divulgação do património português.

*Texto da autoria de Dulcineia Pinto